Pilares ideológicos

CONSERVADORISMO 

O conservadorismo é uma corrente ou doutrina política sustentada no pensamento filosófico que defende que as melhores instituições não são aquelas que resultam de projectos de geração espontânea, mas sim de uma evolução gradual e natural ao longo dos tempos.

Defende a manutenção de tradições, instituições e formas de vida históricas, tanto no campo económico como em certos aspectos políticos e sociais, bem como religiosos. Exprime-se pela hostilidade ou, pelo menos, reticência, relativamente às inovações políticas, económicas e sociais, cujas repercussões são ainda desconhecidas ou pouco experimentadas.

A base do conservadorismo é o pessimismo antropológico, onde o Homem é encarado como naturalmente pérfido sendo a sociedade, com as suas tradições e hábitos, que modera e limita a sua perversidade natural.

O conservadorismo não tem uma expressão política única, sobretudo no tempo, podendo assim apresentar um programa político rico em reformas de natureza social e económica, desde que se realize o objectivo de defesa do prestígio e poder dos seus valores basilares.

Um conservador é caracterizado pela defesa de um mínimo ético de valores sociais estáveis, em que a pátria, a família, a propriedade e a religião são prioridades a defender e a manter, mas cuja representação e realização são históricas, pelo que se tornam passíveis de mudança nas suas manifestações externas e formais.
DEMOCRACIA CRISTÃ

Sistema político em que o poder pertence ao povo e que se rege pelos princípios da doutrina de Cristo. Este pensamento surge em França, em meados do século XIX, adquirindo uma maior expressão depois da publicação da encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII, em 1891.

Após a I Guerra Mundial, o Vaticano encorajou os católicos que o desejassem a organizarem-se em partidos políticos. Florescem aí, em diversos países europeus os partidos políticos ligados a esta corrente.

A democracia-cristã proclama o direito e o dever de intervenção do Estado, sobretudo no que respeita à condição das classes pobres e desfavorecidas, às quais devem ser dadas garantias legais em matéria de propriedade e trabalho.

Reclama também a afirmação e aceitação de parâmetros morais a julgarem e a apoiarem as questões sociais. Defende um modelo de sociedade apoiado em associações que conjuguem o poder do Estado com a iniciativa privada para que em conjunto desfaçam assimetrias sociais e económicas.
LIBERALISMO

Sistema assente numa doutrina político-económica caracterizada pela sua atitude de abertura e tolerância a vários níveis. Surge na época do iluminismo contra o espírito absolutista, partindo do conceito de que o conhecimento da razão humana e o direito inalienável à acção e realização pessoal, livre e sem limites, constitui o melhor sistema para a total satisfação dos desejos e necessidades do Homem. Este modelo exige não só a liberdade de pensamento e individual, mas também a liberdade política e económica.

Nesse sentido, o liberalismo julga o progresso da humanidade a partir da livre concorrência das forças sociais e é contrária às acusações das autoridades (religiosas ou estatais) sobre a conduta do indivíduo, tanto no campo ideológico, como na vertente material, uma vez que a todo o tipo de obrigação guarda certa desconfiança.

Também do ponto de vista económico esse registo se mantém, defendido pelos fisiocratas, por Adam Smith e pela teoria do comércio livre. Intimamente ligado ao capitalismo, o liberalismo foi responsável pelo desenvolvimento económico industrial a partir do século XIX. No terreno, combate o intervencionismo do Estado em todos os seus domínios, defendendo a propriedade e iniciativa privada, assim como a auto-regulação económica através do mercado.

Preconiza um Estado mínimo confinado, normalmente, a simples funções judiciais e de defesa. A filosofia política de Locke, o verdadeiro fundador do liberalismo, defende um conjunto de direitos naturais inalienáveis do indivíduo, anteriores à própria sociedade: a liberdade, a propriedade e a vida.

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